Archives

frida baranek_deslocamentos

Entre as tantas reinvenções da modernidade, está o fato de termos gradativamente mudado o lugar e o estado das relações sociais. Se na Idade Média o objetivo era perdurar e estabelecer laços fixos e imutáveis, nos tempos atuais o deslocamento e a maleabilidade são chave para a compreensão de um mundo novo e flexível. A …

leia mais


galeria raquel arnaud_felippe crescenti

Em 2011, por ocasião da inauguração do espaço atual da galeria, na Rua Fidalga, 125 – Pinheiros, o Gabinete de Arte passa a se chamar Galeria Raquel Arnaud. O novo espaço é um marco arquitetônico da Vila Madalena, projetado por Felippe Crescenti.

leia mais


casa hum

foto: esculturas Sergio Camargo na casa HUM, São Paulo, 2004. Em 2003, Raquel funda a Casa HUM para abrigar e catalogar o acervo de Sergio Camargo. O espaço funcionaria até 2011 na Rua Gabriel Monteiro da Silva, 2700 – Jardim América.

leia mais


gabinete de raquel arnaud

foto: Nuno Ramos, instalação 111. Gabinete de arte, Raquel Arnaud, São Paulo, 1993. Em setembro de 1992 é inaugurada uma nova sede do Gabinete de Arte Raquel Arnaud, na Rua Arthur de Azevedo, 401 – Pinheiros, e no mês seguinte ela abre também um segundo espaço, no Morumbi Shopping. Nesse mesmo período é lançado o …

leia mais


gabinete de artes raquel arnaud_ lina bo bardi

foto: Gabinete de Arte Raquel Arnaud na Avenida Nove de Julho, sp, 1980 (espaço adaptado pela arquitetura Lina Bo Bardi) No final de 1979, o Gabinete de Artes Gráficas é liquidado e no ano seguinte é inaugurado o Gabinete de Arte Raquel Arnaud, com sede na Avenida Nove de Julho, 5719 – Jardim Paulista. A …

leia mais


gabinete de artes gráficas

foto: Gabinete de Artes Gráficas, São Paulo, 1975. Em 1973, Raquel se une a Franco Terranova para coordenar a Galeria Arte Global (pertencente à Rede Globo), ao mesmo tempo em que se prepara para gerir sua primeira galeria, o Gabinete de Artes Gráficas, em colaboração com Mônica Filgueiras. Ambos os espaços abrem para o público …

leia mais


alberto martins_

Cor, corte, ferrugem Feitas de chapas de aço em formatos geométricos regulares e planos (círculos, retângulos), as peças de Alberto Martins se espacializam a partir de dobras e cortes. Espacialização que, no entanto, não chega a se realizar completamente, fazendo essas peças entreterem um vínculo ambíguo com seu suporte: a parede e o chão. Tendo …

leia mais


hércules barsotti_proposição emblemática

Uma estrutura-limite, em série, parece algo paradoxal. Como desdobrar um esquema no estágio máximo de tensão? Todavia esse conjunto de obras pretende ser exatamente isto- a série problemática de uma estrutura-limite. O mesmo aqui não é simples, muito menos dado: é condensação, experiência, história. Nesse mesmo devem estar presentes necessariamente todas as combinações e transformações, …

leia mais


marco giannotti_contra luz

um olhar lento, outro fluido Ronaldo Brito   O que vemos, de início, mais parece um negativo fotográfico: a imagem ainda não foi revelada. Por isso mesmo, somos levados a nos aproximar da tela, examiná-la, interrogá-la, na expectativa talvez de que nesse meio-tempo a imagem se mostre por completo. Mas a manobra será recorrente, interminável, …

leia mais


geórgia kyriakakis_outros continentes

A cartografia mais difundida no mundo é a cartografia marítima de padrão europeu, em que o norte é representado pela Estrela Polar, astro visível apenas no Hemisfério Norte. É dela que derivaram os padrões de mapa mais conhecidos. Mas como a Terra é esférica, poderíamos representar o planeta com qualquer dos continentes no centro. Toda …

leia mais


frida baranek_exteriores

DESPOJAMENTO E INSTABILIDADE   A trajetória de Frida Baranek está marcada pelos seus deslocamentos constantes. Uma diáspora poética voluntária que a fez sair do Brasil, estudar nos Estados Unidos, voltar ao país, mudar-se para a Europa, Paris e depois Berlim e, finalmente, fixar residência em Nova York. Assumidamente sem lugar – ou sendo um pouco …

leia mais


luz, cor e movimento_

HISTÓRIA DE UMA VISIONÁRIA   ANTONIO GONÇALVES FILHO   Ao organizar a primeira exposição de sua galeria em Paris, em junho de 1945, a francesa Denise René desempenhou um papel decisivo como animadora cultural desses tempos de reabilitação francesa, após cinco anos de ocupação alemã. Na época, as ambições da galerista eram, porém, mais modestas: pagar …

leia mais


gedley braga_obra póstuma

Página de rosto. É preciso estar com a pele limpa, sem pintura. O quê? Morreu? Quem disse que a pintura morreu? E o Gedley? Disse que morreu? Gedley vive assim, na costura das linguagens, na articulação dos detalhes; as cores dos artistas os nomes do poeta as letras da primeira abstração, os números do tempo …

leia mais


cassio michelany_o ritmo da cor

O RITMO DA COR | Cauê Alves   As relações entre o branco e as cores nos relevos inéditos de Cassio Michalany produzem um ritmo particular. Nos dois formatos de relevos as cores se tornam tridimensionais e se lançam para fora do plano. Mesmo que sua presença espacial não seja acentuada, as ripas brancas e …

leia mais


carlos zílio_a pele, o corpo e o tamanduá

A PELE, O CORPO E O TAMANDUÁ   A pintura de Carlos Zilio, na sua paleta, nos seus movimentos, na sua reflexão, solicita certa distância, jamais qualquer empatia efusiva. Distância que pede inteligibilidade e que não se esconde em nenhuma pacotilha metafísica. Como toda pintura contemporânea, exige o contato subjetivo com sua materialidade, muito presente …

leia mais


arthur luiz piza_ meu tatu

O nome surgiu meio sem explicação, uma espécie de evidência, porque na forma do bicho se faz o um em cima do outro, o entre um e outro, o um sobre outro. O “meu tatu”é no fundo a síntese de um todo, ao mesmo tempo caminho e resultado de encontros, reencontros, arranjos, desarranjos, é uma …

leia mais


maria carmen perlingeiro_aquáticas

Uma segunda pele   Ronaldo Brito   Para o artista, a descoberta de sua matéria equivale à descoberta da textura do mundo. Só a partir daí ele pode transfigurá-lo. E, muito mais do que adequá-lo à sua medida, o que seria ainda um problema de cálculo e proporção, ele, de fato, o assimila, passa a …

leia mais


julio villani_composições com tinta e óleo

COMPOSIÇÕES COM TINTA E ÓLEO Stella Teixeira de Barros   O empenho em captar a realidade brasileira se delineia como espinha dorsal da obra de Julio Villani, que sabe muito bem dos perigos de alienação a que pode estar sujeito quem, como ele, se afastou há cerca de duas décadas do Brasil, optando por viver …

leia mais


iole de freitas_cartas dinâmicas

ao se deparar com a membrana do tempo  a linha muda sua trajetória  ancora no lugar onde a presença da duração  junta-se á do peso;  finca alicerces e instala um território onde números se sucedem e identificam:  trazem na resistência da cada âncora  a evidência das forças submetidas   assim como a linha, o olhar …

leia mais


elizabeth jobim_horizontais

horizontais   Paisagens airadas   Talvez pudéssemos interpretar, de forma um tanto quanto simplificada, a passagem do desenho à pintura na produção dos últimos anos de Elizabeth Jobim como a transformação da natureza-morta em paisagem. Naturalmente não penso aqui numa concepção tradicional destes gêneros. Sabemos que os arranjos de pedras presentes como o “assunto” dos …

leia mais


carmela gross_uma casa

Agora, a palavra casa                                                     Paulo Sergio Duarte   Não, a luz não se fez. Foi construída, escolhida. Quando descoberta e emancipada por Dan Flavin, a lâmpada fluorescente era uma emanação de …

leia mais


carlos cruz-diez_a cor no espaço

A COR NO ESPAÇO As artes visuais sempre forneceram, em diversos momentos de sua história, preciosos meios de investigação na trama luminosa do mundo e constituíram, em relação à cor, um conjunto de conhecimentos, tanto teóricos quanto empíricos, que acompanha, e às vezes até mesmo antecipa, aqueles estabelecidos pela ciência.   Carlos Cruz-Diez, incontestavelmente, se …

leia mais


arthur luiz piza_tramas

TRAMA ARTHUR LUIZ PIZA   TRAMAS RELEVANTES Christina Bach   Há multo que Arthur Luiz Piza vem adestrando meios, técnicas e materiais – eruditos ou triviais, clássicos ou banais, nobres ou vulgares – para um convívio atualizado. Já vimos, em suas obras, o desempenho pontual de capachos, alfinetes, areia, cera, prata, porcelana; o rendimento otimizado …

leia mais


antonio manuel_sucessão de fatos

SUCESSÃO DE FATOS ANTONIO MANUEL   TELHADO FADO. A forma é irregular, disforme, marca um quase circulo rompido à mão, construído com violência e agressividade, cujo propósito é romper, atravessar, libertar. O impulso é o de ir além do obstáculo, papelão, tela, muro, o quê for. Ir ao que está além e ao ainda mais …

leia mais


trajetória_

A OBRA DE ARTE, SEJA QUAL FOR A LINGUAGEM OU O MEIO UTILIZADO PARA REALIZÁ-LA, É A SOMA DE MUITAS ESCOLHAS FEITAS PELO ARTISTA, ADENSADAS E AMALGAMADAS COM O TEMPO E AS CONDIÇÕES DE SEU ENTORNO. UMA PRODUÇÃO ARTÍSTICA, APÓS SURGIR E DEMARCAR A QUALIDADE E A RELEVÂNCIA DAS PROPOSTAS DE SEU AUTOR, DEPENDE DA …

leia mais


elizabeth jobim_pinturas

ARQUITETURAS IMAGINÁRIAS        Luiz Camillo Osorio   A opção pela pintura, ou melhor, pela tela é recente na obra de Elizabeth Jobim. Até bem pouco tempo, era o papel o suporte mais freqüente. Com ele, sua linha fluía com mais desenvoltura e a forma arrumava-se quase que por acomodação orgânica. Era um corpo …

leia mais


waltercio caldas_

É uma poética do intervalo – entre duas coisas, dois signos, dois conceitos, ou entre signo e conceito, signo e coisa. Obra de arte, para Waltercio Caldas, é aquilo que está no meio, que não pertence a nenhum dos dois lados. Tarefa do artista, então, é gerar um resto, um afastamento das partes que chega …

leia mais


silvia mecozzi_mera esfera espera espinho

Tento nomear meus trabalhos muitas vezes. Procuro palavras que possam conversar com imagens. Recurso desesperado contra o silêncio que nos invade cada vez que tentamos exprimir a experiência que nos rodeia. Sobreposições de mim… do outro… do que o mundo causa em mim. Na caixa-atelier, livros, papéis, tinta, materiais diversos, ferramentas, música, tudo espalhado pelas …

leia mais


olhar sobre a áfrica contemporânea_

Olhar sobre a África contemporânea por André Jolly   “Inédito e provocativo”são bons adjetivos para este evento, que combina uma exposição de obras de artistas africanos contemporâneos, do Benin, com o lançamento da 10ª edição da Revista Imaginário. Com o tema África, a Revista reúne artigos de diferentes pesquisadores com a proposta de criar um …

leia mais


conversa contemporânea_

conversacontemporânea   Conversa Contemporânea concilia quatro técnicas diferentes e compatíveis em obras de uma mesma época, quando essa linguagem de trabalho era pouco assimilada.   Mira Schendel, com desenhos do início da década de 60 que guardam estreita relação com as pinturas em têmpera sobre tela e sobre juta que ela desenvolveu no mesmo período, …

leia mais


cassio michelany_

A PRESENÇA DO QUE DESTOA A concisão e uniformidade de linguagem conquistadas pela pintura de Cassio Michalany não deixam de ser intrigantes na medida em que não estabelecem um padrão ou eliminam a multiplicidade de questões abordadas. Seu vigor encontra-se na diferença extraída da reiteração de um processo, como se, de modo paradoxal, a regularidade …

leia mais


geórgia kyriakakis_mesmas e outras

COMO APRUMAR O MUNDO O poeta Manoel de Barros ensina que para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber: a. Que o esplendor da manhã não se abre com faca b. O modo como as violetas preparam o dia para morrer  c. Por que é que as borboletas de tarjas vermelha têm devoção por …

leia mais


fernando bento_latitude

LATITUDE   LATITUDE E CAPITÃES BIRUTAS O Brasil não precisa reler as cartas de Américo Vespúcio para descobrir o Brasil. Mas precisa rever Volpi. Precisa, ainda mais, reviver os penetráveis de Hélio Oiticica. Depois de mergulhar no mar do navegador florentino, perder-se no azul do pintor toscano e seguir o percurso na selva sugerido pelo …

leia mais


elisa bracher_

QUASE ÁRVORES / NÃO ÁRVORES / SILÊNCIO   O peso é para mim um valor. Richard Serra   O fascínio do material é um perigo, ele nos pa- ralisa, a beleza nos corrompe. Parece que a beleza tem a ver só com aquele minuto presente do olhar. Elisa Bracher   Duas coisas surpreendem no trabalho …

leia mais


carmela gross_hotel

Três passagens em torno de uma instalação   A PALAVRA   Hotel e aeroporto. Tanto faz. Salvo raros espécimes, ninguém habita esses espaços(falo dos diversos “espécimes” humanos, óbvio, não dos vírus, bactérias e insetos). Hotel é lugar do ser em trânsito. O hotel parece ser o não-lugar de todos, seria a própria suspensão do espaço …

leia mais


carlos zilio_

 Pintura, em suma. Nos suas mais recentes telas e desenhos o trabalho de Carlos Zilio reapresenta a consistência substancial e a identidade forte que atingiu nos últimos anos. É uma confirmação que se atualiza através de uma voz afirmativa, fluente, estabelecida num plano de serena autocompreensão da qual extrai um força ainda não revelada. Mais …

leia mais


anna maria maiolino_vestígios, indícios & outros

A FRANQUEZA DO PRIMEIRO GESTO   O segredo de uma grande arte pode estar na manifestação pungente de obras isoladas ou na força de um processo perseguido ao longo do tempo. A arte de Anna Maria Maiolino é, ao meu ver, desse últimos tipo: é o conjunto da obra, ao longo de quatro décadas, que …

leia mais


ana linnemann_o mundo como uma laranja

Adentrar O mundo como uma Laranja de Ana Linnemann é como deparar com uma pintura em três dimensões, navegar as formas e espaços fraturados de uma natureza morta cubista. Ou mesmo, dada a sugestão de corte violento a plano pictórico, talvez seja algo como experimentar o dinamismo de um interior futurista. Uma torrente de referências …

leia mais


iole de freitas_

A plena forma – Paulo Sergio Duarte   Se fôssemos procurar uma linha “evolutiva” da escultura de Iole de Freitas teríamos diante dos olhos um desenvolvimento que parte das articulações de fios de arame, tubos de cobre e borracha, pequenos serrotes, pedaços de gaze e outros tecidos, formando desenhos no espaço, quase caóticos, do início …

leia mais


geométricos e cinéticos_

A trajetória do Gabinete de Arte Raquel Arnaud e marcada por uma atenção especial às investigações da arte contemporânea aliada a uma escolha histórica: a arte construtiva e cinética. Esta linha é uma opção estética que faz parte da minha vida profissional e pessoal – dois lados da minha existência integrados na arte. Não sou …

leia mais


daniel feingold_

Impressões do dia   Rajadas, fagulhas, descargas, ou algo do gênero, cruzam a tela. Tudo indica que nem o termo pincelada, nem a unidade pictórica equivalente, podem mais designar essas emissões rápidas, entrecortadas e pulsantes em todas as direções. Sejam convergentes ou divergentes – não há como saber -, estes rastros multidirecionais traçam vestígios da …

leia mais


arthur luiz piza_leveza e matéria

Leveza e Matéria Relevos, colagens e gravuras   A Intimidade absurda* Na obra de Arthur Luiz Piza, o espaço ocupado pela gravura, um linguagem explorada pelo artista com requinte poucas vezes igualado na história de seis séculos dessa técnica, inibiu a análise e o conseqüente reconhecimento da poética – tão delicada quanto portadora de sutis …

leia mais


antonio manuel_

Observador em órbita            Sônia Salzstein   Nesse conjunto de telas recentes de Antonio Manuel revela-se, antes de mais nada, a atualidade e o vigor crítico da vertente construtiva brasileira, no universo da pintura contemporânea. A atividade de pintor ocupa lugar central nos interesses desse artista desde os anos 90 e …

leia mais


josé resende_8 esculturas

Patricia Correa   Sensibilidade em trânsito   Tubos de cobre e latão, superfícies de ferro, cabos de aço, chumbo derretido, água, parafina e nylon foram convocados para as novas torções, curvas e enlaces que constituem essas esculturas. Ações e elementos que já identificam a obra de José Resende e aqui voltam a insistir na potência …

leia mais


tângencias_

Tangências: uma relação tão delicada   Tadeu Chiarelli   A relação entre mestre e discípulo, tão comum na história da arte, permanece até hoje mas com profundas alterações. Se antes, a passagem de um saber e de um saber-fazer devidamente institucionalizados, era a função do mestre, cabendo ao discípulo absorver, manter e, no futuro, transmitir …

leia mais


frida baranek_

Fios e Tubos     Knut Ebeling   Até o presente as obras de Frida Baranek podem ser caracterizadas dentro da concepção Wittgensteiniana do saber como fio. Suas combinações formavam um todo orgânico cuja força residia na assimilação das diferenças. A presença física de sua obra não provinha de uma única e coerente unidade de …

leia mais


elizabeth jobim_

A idade das pedras                                                                Paulo Venancio FIlho   Por que essas coisas tão inóspitas, tão sem-assunto, pedras? Pedras são pedras, sem mistério, alegoria, símbolo …

leia mais


célia euvaldo_

Célia Euvaldo   São quadros muito grandes e , ao mesmo tempo, muito íntimos. Se toda obra de arte que se preze parte de uma contradição, a do trabalho de Célia Euvaldo me parece ser justamente essa: que a obra, mais é concentrada, mais demanda espaço; quanto mais abaixa a voz, tanto mais se expande. …

leia mais


sheila mann hara_

Manter o Equilíbrio   Sheila Hara ao retomar o arranjo ortogonal da arte de Mondrian, e Van Doesburg não dota de pureza e autonomia plástica os elementos constituintes de sua pintura. Preservando a planaridade, a tela assume um corpo pictórico denso e escorregadio. A aparência diluída da tinta branca empresta uma presença física evidente às …

leia mais


elizabeth jobim_

As coisas certas   Rodrigo Naves   No início eram pedra. No fim, também. Foram pedras os objetos de que Elizabeth Jobim partiu. E seus desenhos têm igualmente cara de pedra: arestas marcadas, alguma solidez, um aspecto quebradiço de coisas rígidas. E no entanto são planos como uma folha de papel. E o que interessa …

leia mais


eiji suzue_

Figura transparente, buscada ou surgida de um processo de nadificação Uma forma em precário equilíbrio, ameaçada de desaparecer e que tenta declaradamente aproveitar todas as suas chances. Forma que aparece aqui sem  parar , erodida na sua borda. Forma em movimento que contém, cada vez, o aparecimento e o  desaparecimento. Quando tentamos perceber, a  consciência …

leia mais


ana linnemann_pedras bordadas

Escultura Costura                                              Paulo Venâncio Filho    A aparência do trabalho é tão primitiva que pensamos estar em outros eras, diante de coisas cujo sentido há muito deixou de ser intelígivel e comunicável, perdido …

leia mais


anna maria maiolino_+&-

A Memória de Outro  Anna Maria Maiolino, nesta exposição, continua elaborando os processos resultantes da ação do gesto na execução de formas básicas, amassando, modelando no tamanho da mão  na repetição: igualdade/diferença.  Este obras são continuações de trabalhos anteriores (1991 e 1993) onde a intuição na multiplicação do amassar, do moldar, procura a confirmação de …

leia mais


poética_

Os encontros e desencontros culturais estão sujeitos, como tudo mais, ao espaço e tempo históricos. Nenhuma obra nasce pronta, fora dessas coordenadas. Cada uma delas deseja e necessita intergrar-se às várias esferas de compreensibilidade públicas. Cabe ao juízo falível das ações humanas procurar integrá-las ao todo. Esta exposição, com seu caráter circunstancial, está entre duas …

leia mais


coerência – transformação_

Em certos momentos de uma cultura parece ocorrer um esforço concentrado, uma confluência de propósitos, uam direção da sensibilidade. Mais que uma ação conjunta reflete, na modernidade, o drama individual do artista. Situação defensiva e ofensiva frente ás ameaças de dissolução de qualquer identidade. Defronte ás inúmeras incertezas e dúvidas que não podem ser objetivamente …

leia mais


fernando bento_

Existem objetos que nos são absolutamente familares, seja pelo convívio voluntário que estabelecemos com eles, seja pela troca desatenta mas repetitiva a que os espaços comuns nos condicionam. De uma maneira ou de outra estamos sujeitos à força do hábito  que nos impede de ultrapassar a dura camada superfícial que construímos com esses objetos. Para …

leia mais


paulo monteiro_

Elas se parecem com algo: um homem, um réptil, outra é difícil dizer. Todas, de qualquer modo, insinuam uma figura. O efeito é irônico, inusitado. Elas se parercem com algo, mas como que a contragosto. Há toda uma operação construtiva, simples e sutil, que leva em conta a planura do chão e o delicado arranjo …

leia mais


carlos cruz-diez_fisiocromias

Por que uma reflexão sobre a cor?  A maioria das pessoas, incluindo o meio  artístico, desde há muito tempo tem institucionalizado uma só e única informação sobre a cor na arte que se detém no  Impressionismo, em Matisse, Delaunay e em Albers.    Muitos são os que me dito:  “- a cor é para cobrir …

leia mais


maria carmen perlingeiro_

Um fragmento, duas figuras Diante desta série de esculturas de Maria-Carmen Perlingeiro a maior dificuldade é justamente aceitarmos sua simplicidade, a maneira fluente e casual com que se apresentam. E não porque o seu aspecto intrigante seja enganoso ou irrelevante, muito pelo contrário – apenas, sua simplicidade, ela mesma é parte crucial da intriga, Em …

leia mais


iole de freitas_

LEVEZA DO CHÃO1   Mudanças significativas ocorreram no trabalho de Iole de Freitas nos últimos anos: a artista reduziu procedimentos e materiais, simplificou a sintaxe, deixou de lidar com o espaço como uma totalidade indivisível para pensá-lo através de uma dinâmica de relações e trocou a escala intimista pelo confronto com um espaço anônimo e …

leia mais


daniel feingold_

Pré e pós-cosmos   Diante desses trabalhos, um ao lado do outro, é como se os víssemos não lado a lado, mas um o outro lado do outro. Como estar entre dois estados diferente da matéria, sólido e gasoso, que um plano infinitesimal separa, um plano que não é um nem outro, que não é …

leia mais


antonio manuel_

Fluido Labirinto As telas recente de Antonio Manuel parecem cumprir um percurso geométrico paradoxal, apresentar uma espécie de labirinto fluído. Os seus elementos abstratos se combinam menos por encontros do que por desencontros, menos por transições do que por oposições, como se virasse ao avesso a geometria para chegar a um autêntico saber contra-geométrico. E …

leia mais


hércules barsotti_vermelho

O observador- bem ou mal acostumado no modo de ver uma obra de arte tradicional, após passar pela indefectível associação figurativa que os planos coloridos ou a forma externa de uma obra de Barsotti possam induzi-lo – começa a perceber, através do caráter de obra inteira , um fluxo conciso de informações de natureza puramente …

leia mais


amilcar de castro_

MUNDO SUSTENIDO Rodrigo Naves Os trabalhos mais recentes e Amilcar de Castro em certa medida revertem alguns aspectos que marcaram uma parte significativa de sua produção. Nas esculturas de corte e dobra, o artista partia de chapas de ferro de no máximo 2 polegadas e por meio de torções precisas alcançava uma tridimensionalidade tensa, em …

leia mais


sergio camargo_construção

Construção  O trabalho de Sérgio Camargo acresentou uma variável surpreendente à tradição construtiva moderna em seus desdobramentos brasileiros a partir dos anos 50. Porque uma inesperada e heterodoxa vertente, lírica e solar, brotava desse trabalho, praticamente ao mesmo tempo em que no contexto internacional o informalismo cético da produção européia e a anti-metafísica irreverente e …

leia mais


iole de freitas_escrito na água

O metal ele mesmo resiste á contração, busca voltar á posição original, resiste tensionado. na agitada, o vigor do cansaço. Contrariando a força da gravidade, essas esculturas têm algo de uma fonte estática que encontra no modelo da fonte a origem da sua tempestuosa força muscular de movimento em ondas. E também no jorro de …

leia mais


elizabeth jobim_

DESENHOS QUE DESABAM Como é possível hoje, um desenho que se pretenda natureza-morta se a desatenção com as coisas se intensifica cada vez mais? O pouco que resta daquele interesse prolongado- interesse que diverge cada vez mais das tendências atuais da arte- não é capaz de emprestar suprema importância à representação de um arranjo prosaico …

leia mais


carlos zilio_

A PINTURA E A SUA PRESENÇA Depois de um longo processo de depuração e progressiva eliminação de determinados fantasmas, processos paródicos e alusivos, a pintura de Carlos Zilio parece ter encontrado seus elementos mínimos e substanciais: estrutura e pincelada. Partindo de uma ambição artística e de uma auto-consciência esclarecida e crítica, devia superar a defasagem …

leia mais


maria-carmen perlingeiro_águas-vivas

CLEPSIDRA – Paulo Venancio Filho Seria tão insensato afirmar que essas esculturas em pedra buscam incorporar a dimensão do tempo? Que aquilo que são não é para todo o sempre. Que permanecendo o que são falam daquilo que não permanece. Pequenas mentiras que fingem ser, e não são. Não é esta afinal a ambiguidade do …

leia mais


cassio michelany_pinturas

FULANO, SICRANO, BELTRANO Rodrigo Naves   Cassio Michalany lida com as cores de maneira distancida, quase displicente. Se pode permutá-las como as permuta, por certo não vê nelas um sentido irrevogável ou um conteúdo expressivo particularíssimo, que as tornasse indissociáveis de experiências singulares. Uma superfície azul pode conviver serenamente com uma área branca, embora a …

leia mais


carmela gross_

Diversamente dos trabalhos produzidos desde o início dos anos 90, este conjunto de objetos de Carmela Gross procura enfatizar sua natureza expressiva, como se esta devesse ser focalizada em primeira instância. Cumpre observar, de passagem, que o trabalho anterior interrogava, sempre em tom genérico e impessoal – e por isto deliberamente negligente em face de …

leia mais


anna maria maiolino_muitos e codificações matéricas

“ Esses produtos marcam a instauração de um mundo, a separação entre natureza e cultura. Surgem das possibilidades de um mesmo gesto, de uma mesma operação, facilmente transmissível como os sons de uma linguagem que se inicia. Encontramos, entnao, o sentido originário da repetição. Poderíamos estar diante de uma experiência antropológica, ou melhor, de um …

leia mais


waltercio caldas_

INTERROGAÇÕES CONSTRUTIVAS Paulo Sergio Duarte   Queremos do clássico, o estável e  sábio condutor de história, uma norma, um padrão de referência. Esperamos da arte contemporânea sua única condição: seu caráter experimental, a provocação provisória, a aposta no instante da percepção quando se realiza o insight, como costumava definir a psicologia antigamente, e, sobretudo, a …

leia mais


maria – carmen perlingeiro_

Maria Carmen Perlingeiro   ESCULTURAS   Entre o corpo e a estrutura de Ronaldo Brito   Dimensão do corpóreo   Essa espécie de metáfora corpórea deriva assim, curiosamente, do exercício de uma disciplina estética próxima à tradição construtiva. Os movimentos da mão tendem a repetir compulsivamente fixações e obsessões inconscientes. A pressão da lógica estrutural, …

leia mais


nazareth pacheco_

O Corpo como Destino   “O outro é o que me permite de não me repetir ao infinito” J.Baudrillard   Há sintomas de rompimento do acordo tácito de não agressão que vem anestesiando as relações entre a arte e o público. A revelação de conteúdos potencialmente perturbadores começa a aparecer em mostras isoladas no Brasil …

leia mais


eduardo sued_a dimensão moderna do plano

Íntimo Universal A primeira impressão é de que as telas recentes e Eduardo Sued empenham-se justamente em repensar aquela que teria sido a sua principal conquista desde a década de 70 e que viria a alcançar a potência plena nos anos 80: a dimensão moderna do Plano e tudo o que implica em termos de …

leia mais


jorge guinle_mulheres

Se alguma coisa distinguia a angústia solar de Jorge Guinle era sua infinita capacidade de dizer sim – ele dirá sim a todos os impasses culturais, ao propalado esgotamento das series de linguagem e aos inevitáveis reveses existenciais, dispõe-se a enfrentá-los, virá-los pelo avesso até dissipá-los produtivamente. E porque parece nunca se cansar, não acha …

leia mais


takashi fukushima_ ‘xilogravura, uma experiência em tóquio’

Os trabalhos aqui apresentados são o resultado de uma pesquisa realizada no segundo semestre de 1990, quando fui convidado pela Fundação Japão para trabalhar no departamento de gravura da GUEIDAI – Universidade Nacional de Artes e Música de Tokyo. O supervisor do departamento é o professor e gravador Tetsuya Noda que já representou o Japão …

leia mais


tomie ohtake_

Tomie Ohtake pertence a geração que desde os anos 50 ajudou a consolidar um caráter para a arte brasileira. Um caráter, porque ela foi das artistas que ao escolher um caminho solitário, da introspecção e uma linguagem intimista, da abstração, demonstrou que para ser uma artista sul americana não era necessário uma pintura típica, exótica, …

leia mais


iole de freitas_

Delicadeza traumática   A insistente presença do corpo no trabalho de Iole de Freitas vem se desenvolvendo como um dos mais radicais pensamentos anti-representativos da arte brasileira contemporânea. Em seu trabalho o corpo foi seguidamente objeto de uma série de investigações tanto quanto ao meio utilizado, quanto a natureza do processo de investigação.  Inicialmente Iole …

leia mais


frida baranek_

A relação com o espaço é a essência do cogitar tridimensional na expressão criativa de Frida Baranek. Simultaneamente, o material se impõe de modo impositivo por sua agressividade, captada a primeiro impacto. Catastrofista pela utilização de elementos conotativos de uma sociedade industrializada, a “assemblage” desconstrutivista preside suas instalações vitais em sua espacialidade: pedra (granito ou …

leia mais


cassio michelany_

ESPAÇO, COR, BRILHO, MATÉRIA E MUITO MAIS   A exposição de Cassio Michalany recusa o táctil. Vem com a energia da pintura-problema, instigante e provocante. Como a Matemática moderna, não traz soluções.  Investiga algumas questões, impulsionando, com a radicalidade a palo seco de seu trabalho, a pensar alguns problemas essenciais. Em especial, três deles me …

leia mais


antonio manuel_sombras e cintilações

Sombras e Cintilações   Desafiador e inquieto, Antonio Manuel investiu sempre uma carga constante de agressividade em seus trabalhos. Não foi o único, no entanto, foi dos poucos a dimensionar essa situação de desconforto diante do medo. Esse desafio foi o núcleo do seu trabalho, Reagia ao contexto provocando-o. Mas como não era estritamente uma …

leia mais


ana maria tavares_

Ana Maria Tavares e o cerco da arte   Um conflito pontua toda a produção de Ana Maria Tavares: a luta entre um entendimento da arte como espaço existencial, lugar de configuração mais eficaz de sua sensibilidade, e a consciência (derivada da lição duchampiana) sobre a impossibilidade da arte hoje em dia escapar do cerco …

leia mais


waltercio caldas_

CALOR BRANCO   Estranha e de certo modo aniquilante a objetividade das peças de Waltercio Caldas. Não uma objetividade que nos avassalaria pela demonstração de uma empiria qualquer ou de um eventual  processo de constituição do trabalho. Mas aquela que resulta simplesmente da presença inflexível e da evidência incontornável de cada uma das peças:algo assim …

leia mais


marco perigo_caos aparente

CAOS APARENTE Intimidado pelo caos apresentado na faculdade, quando da minha entrada, entusiasmei-me pela solidez das ideias de gravura colocadas pelo então meu professor Evandro Carlos Jardim. Entusiasmo claro, quando conheci sua obra em uma exposição no MASP no ano de 1973. Vi. Revivi questões da minha memória. Vi minha infância. Morávamos então distantes duas …

leia mais


gesto e estrutura_

O caráter instável, urgente, das estruturas modernas, o aspecto prontamente reflexivo e problemático dos gestos atuais, eis a razão de ser de Gesto e Estrutura. Em seu âmbito modesto e circunstancial, a exposição pretende incitar à experiência estética dos ensaios de ordem contemporâneos e do drama do Eu, as dúvidas sobre a eficácia e o …

leia mais


carlos vergara_

ACONTECIMENTOS PICTÓRICOS   O que esta série de pinturas nos revelam são acontecimentos, situações, instáveis organizações. Elas mantém um grau de imprevisibilidade, uma deliberada margem de gratuidade e espontaneidade. A princípio poderia prevalecer a sensação de que, antes de tudo, é o sentimento do prazer que as impulsiona num movimento contínuo e irrefletido de plena …

leia mais


10 escultores_

Os artistas que sempre escolhi para expor no Gabinete de Arte, ao longo de sua existência, expressam a clara visão cultural da arte contemporânea sobre a qual se apoia nosso trabalho. Meus 22 anos de profissão iniciaram-se no Museu de Arte de São Paulo e na direção da Galeria Arte Global de São Paulo. Só …

leia mais


iole de freitas_

FLUIDOS CONCRETOS O trabalho recente de Iole de Freitas parece fazer uma opção decidida pela escultura. Mas ainda, por uma escultura que, em última instância, derivaria da própria estatuaria. Em qualquer das situações que a obra venha a acontecer – no chão ou na parede- e com toda a sua instabilidade e precariedade, haveria sempre …

leia mais


franz weissmann_multiplos

Pulsações de espaço Em pequenas dimensões e sob a forma de múltiplos, as esculturas de Franz Weissmann tem dois de seus aspectos intrínsecos consideravelmente enfatizados. Primeiro, obviamente, a possibilidade de manipulação permite tornar concretas as várias articulações de cada peça. O que distingue a obra de Weissmann é o seu caráter de situação, a instabilidade …

leia mais


arthur luiz piza_cortes e recortes

Mudo de maneira de trabalhar. Sou agora obrigado a enfrentar o que faço com decisão.   Corto e com o corte vem a reflexão, a necessidade de novo corte. Dirijo a mão para um lado, a seguir para o outro. As vezes continuo e ao continuar vem a curva. As vezes pequena formas repetem-se, obsessivas …

leia mais


milton dacosta_fase construtivista

Lógica e Lírica: Nada mais evidente, a meu ver, do que a perfeição das obras construtivas de Milton Dacosta. E nada mais problemático- ela resulta de um embate com esquema e dados que seriam, a priori, se não inconciliáveis; heterogêneos. De fato o melhor adjetivo para definir semelhante perfeição seria paradoxal: híbrida. Contradições, como se …

leia mais


sergio camargo_

“Suspeito que as esculturas sejam entidades estranhas, cuja pertinência só a elas pertence.” Sérgio de Camargo    

leia mais


cassio michelany_

Da Cor Como Matéria Marco Antonio Tabet   Frequentemente encontramos em momentos de ruptura a condição do artista que se obriga a fazer da dúvida a busca que alimenta e dá impulse ao seu trabalho, assinalando que a arte não pode simplesmente prosseguir consumindo e disecando até o osso os seus próprios pressupostos. É interessante …

leia mais


franz weissmann_

FRANZ WEISSMANN                                                                                 Paulo Herkenhoff Perguntaram-me quem é Franz Weissmann. A resposta vem-me como presença silenciosa do homem que faz obras de silêncio. Ou de grito.   INQUIETUDE Franz Weissmann é a contradição. Silêncio e grito. Abandonar suas conquistas para reconquistar -se permanentemente como artista. Como se necessitasse, todo o tempo, de (re) descobrir o mundo. …

leia mais


tunga_

O paradoxo cheio de sentido: O entre quântico, indivisível, singular, não-local, que parece (virtualmente) existir como 2. -o fóton tem e não tem pólos, o elétron dança num duplo palco, o gato de Schrodinger morrevive em 10 segundos O real, a causa profunda: virtual e atual A realidade, o causal: o simulacro o ilusório concreto …

leia mais


tomie ohtake_

PARA TOMIE OHTAKE Paulo Herkenhoff   Quase de relance, escrevo sobre Tomie. Um texto urgente mais que reflexão, é reação afetuosamente revelada. Toda obra de Tomie é recomeço e etapa na obra única: a pintura. A idade da razão constrói-se com cada quadro, de cada momento sensual. Há um tempo único que aprofunda esse mergulho …

leia mais


hércules barsotti_unidade sequencial

O ESPAÇO PELA COR Ronaldo Brito O enunciado é simples: aí estão alguns exemplos de expansões, horizontais e verticais,de uma figura geométrica. Para o olhar, no entanto, o problema é complexo e não permite termo de solução. Na medida em que não se apresentam sobre um fundo neutro, a priori, essas expansões estão sempre acontecendo …

leia mais


eduardo sued_

UM MÍNIMO VALOR: O MUNDO A pintura se torna mais e mais evidente e atual; mais e mais o seu sentido de ordem, denso e complexo, comparece de uma maneira imediata e flagrante. A conquista da superfície, a estrita tensão com os limites bidimensionais, prossegue inexoravelmente. As cores passam a se determinar com muito mais …

leia mais


carlos fajardo_

UM MAR DE COSTAS   RODRIGO NAVES   Acontece às vezes de o mundo sofrer uma arbitrária mudança de escala. Os deprimidos, por exemplo, são íntimos dessas ruas majestosamente largas que os reduz à insignificância de um paralelepípedo. Algumas distâncias tornam-se impercorríveis e há profunidades  das quais não há retorno possível. Os espíritos proustianos, por …

leia mais


marco do valle_vórtice

PESADELOS DA RAZÃO Os objetos de Marco do Valle dão a impressão que funcionariam, mas não se sabe bem como e onde. Negam a função familiar e original de suas partes, mas guardam trechos de um pensamento construtivo e operativo. Funcionariam. Mas onde e como? São situações similares às do pesadelo, onde os opostos se …

leia mais


victor grippo_

O inteligir dispara- inexorável- quando pressente o objeto que logo lhe pertencerá e que em seguida a todos devolve.   É assim sempre o conhecimento   Grippo o prova no seu conhecer peculiar que compartilha generoso. Gerencia reservado e com vigor a sua díspar e disparatada visão, e logo a converte nas singelas obviedades que …

leia mais


imaginar o presente_

IMAGINAR O PRESENTE A maneira mais simples, também a mais comum, de ignorar a arte contemporânea é perguntar o que ela significa. Ou ainda, para que serve. Essa espécie de questão pressupõe uma exterioridade, um lugar qualquer onde se possa, de fora, interrogá-la. Este lugar seria, naturalmente, uma “certeza” – o real, o mundo, a …

leia mais


willys de castro_

O pressuposto imediato dos pluri objetos é uma percepção operatória, radicalmente anti-contemplativa- o olhar aqui jamais se perde, nunca se esquece. Ele incide, monta, constrói, compõe e decompõe incessantemente. Instrumento de precisão, é compelido a detectar e analisar as propriedades do campo visível. Mas não há, a rigor, um campo visual e um olhar para …

leia mais


sergio camargo_morfoses

Trata-se de uma singular experiência do Espaço: transformar a superfície no campo onde a matéria trabalha outros elementos além das curvas, ângulos e cortes. Essa experiência, o método de Sergio de Camargo vai transmiti-la construindo todo o trabalho como a exploração do limite do Espaço. O conceito de Espaço sempre questionou a natureza da exterioridade. …

leia mais


carlos vergara_ordem e caos

Há mais de uma pintura nessas telas. Entre o rigor da estrutura inicial em losangos e a interdeterminação do que foi sendo pintado, diferentes pinturas surgiram – acumulando os acasos da mão e do pincel em necessidades da obra. Cada tela é assim, uma aventura de pintura. Nenhuma pode ser tomada como exemplo das demais. …

leia mais


arthur luiz piza_espaço em relevo

Aquele que esculpe o mármore e grava no coração mas que também imprime signos é, em latim, um “Piza sculpsit”. Conhece-se, é certo, sua obra gravada e esquece-se que ele trabalhou a matéria e é bom reencontrar suas esculturas para compreender melhor o processo, uma mesma escrita cerrada mas fluida, firme e suave como a …

leia mais


marcia rothstein_

Nota sobre pintura de Márcia Rothstein: Vivemos em um país inventado no processo de colonização: este novo mundo deriva, daí, uma tradição confusa, ao menos diversa, da norma ocidental tal como se efetiva em seu habitat natural, a Europa. Aqui atua a ansiosa busca de regularizar a produção cultural com a história, apontar os anacronismos …

leia mais


tunga_

É flagrante: estamos diante de obras divididas. Divididas porque duvidantes. Fisicamente até, desdobram-se, fragmentam-se na impossibilidade de serem pura e simplesmente uma. A sua realização depende de sua demonstração: coincidência infeliz. Cada obra remete com premencia ao projeto geral do trabalho, mas este não existe fora delas, nem compõem um sistema organizado. Daí o drama- …

leia mais


arthur luiz piza_gravuras/relevos/objetos

Vi brotar, e estou seguindo, o labor de Arthur Piza há mais de dois decênios, desde, quando moço, frequentava os cursos do Antônio Gomide. Jovem ativo, reflexivo, ansioso de se apoderar dos meios indispensáveis para se manifestar, distinguia-se entre os companheiros pelo modo de combinar a representação gráfica de um simples objeto posto para ser …

leia mais


50 anos_ galeria raquel arnaud

Curadoria de Jacopo Crivelli Visconti e Marina Schiesari   Ao longo das últimas décadas, poucas pessoas foram tão ativas em prol dos artistas e da arte brasileira quanto Raquel Arnaud. A exposição que celebra seus cinquenta anos de atividade oferece a oportunidade única de mergulhar na história das diversas galerias que ela fundou e dirigiu, …

leia mais


joão trevisan_ o dorso do tigre

“O tempo é a substância de que sou feito. O tempo é um rio que me arrebata, mas eu sou o rio; é um tigre que me destroça, mas eu sou o tigre.” Jorge Luis Borges, Nova refutação do tempo, 1952   A imagem do tigre, em sua indefinição, sinuosidade e força, acompanha meu olhar …

leia mais


elizabeth jobim_ a linha florescente

Ao invés de uma linha, uma costura. Nessas pinturas recentes de Elizabeth Jobim, os planos estão interligados, unidos não mais por uma linha abstrata, mas por uma marca física, plenamente visível como elemento manifesto – interrupção e separação dos planos de cor. Aqui, a tela se organiza à maneira de um patchwork absolutamente bidimensional, uma …

leia mais


iole de freitas_ a iminência do gesto: da fotografia à escultura

A Galeria Raquel Arnaud abre no dia 26 de agosto, sábado, às 11h, a exposição “A iminência do gesto: da fotografia à escultura” da artista Iole de Freitas. Concomitantemente às exposições individuais “Imagem como presença” no Instituto Moreira Salles, e “Colapsada, em pé” no Instituto Tomie Ohtake, ambas em cartaz até o fim de setembro, …

leia mais


julio villani_ quadro negro

Esboços de troncos e galhos de árvores coloridos ou puras figuras geométricas dispostas em equilíbrio instável? Há um claro espírito de dubiedade nos trabalhos apresentados aqui por Julio Villani. Algo que oscila não apenas entre a abstração e o naturalismo, mas também, por exemplo, entre o visual e o verbal. Sim, pois o artista dá …

leia mais


célia euvaldo_ pinturas

“Quando o discípulo está preparado, o mestre sempre aparece.” Esse ditado popular é sagaz como poucas afirmações filosóficas. Célia Euvaldo e eu nascemos no mesmo ano. Ambos crescemos em São José dos Campos, embora tenhamos estudado em escolas diferentes, o que implicou termos turmas distintas. Por volta de 1988, Alberto Tassinari e eu vimos seus …

leia mais


almandrade hoje_ o enigma do traço e da forma, da letra e da palavra

Almandrade hoje: O enigma do traço e da forma, da letra e da palavra A arte contemporânea brasileira foi em parte consolidada por alguns caminhos auspiciosos que lograram um lugar político e estético especial para a nossa produção cultural: a resistência de uma poesia visual que transitou também para a canção popular e a obra …

leia mais


arte cinética_ passado e presente

Arte cinética: passado e presente A Galeria Raquel Arnaud foi pioneira ao trazer a arte cinética para o Brasil, nos anos 1980, com grandes nomes como Carlos Cruz-Díez e Jesús Rafael Soto. Após esse contato inicial, a linha de arte cinética veio a se tornar um traço da Galeria, que continuou trabalhando com esses e …

leia mais


guto lacaz_ antimatéria

Antimatéria é o oposto da matéria. As antipartículas possuem as mesmas características das partículas elementares, mas apresentam cargas elétricas opostas. Para Guto Lacaz, essa definição é uma maneira de entender sem entender. Com referências a grandes artistas construtivistas, como Sérvulo Esmeraldo e Carlos Cruz-Diez, e características marcantes da optical art, a exposição conta com obras …

leia mais


nuno sousa vieira_ um entre nós

Em sua primeira exposição individual na Galeria Raquel Arnaud, em parceria com a Galeria 3+1, Nuno Sousa Vieira apresenta uma série de desenhos, uma pintura e uma escultura, montada no jardim da galeria, que se conecta de forma intrínseca com as obras que estarão no espaço expositivo interno, reforçando a relação entre o dentro e …

leia mais


a revolução tem que ser feita pouco a pouco | parte 2: a quadratura do círculo

(uma exposição em quatro etapas) Carla Chaim Célia Euvaldo Felix Gmelin Francesco Arena Nuno Souza Vieira No seu Guia prático para o desvio, Guy Debord argumentava que uma das mais eficazes estratégias de insubordinação social seria a apropriação, ou desvio, de frases e conceitos alheios, para fins revolucionários. Debord identificava vários tipos de desvios, entre …

leia mais


simples como o triângulo_ sérvulo esmeraldo

“Na sua aparente simplicidade, o Triângulo é na realidade, o “dono” das matemáticas. Dono é pouco. A mais simples das figuras geométricas, com seus três vértices, dinamiza um espaço plástico definido como nenhuma outra forma. Além do mais, imagine, é indeformável. Reinam sobre nossas cabeças, tesouras triangulares que sustentam linhas, caibros e ripas. Bem observados, …

leia mais


carlos cruz-diez

Veja as obras no subsolo da Galeria O ‘suporte estático na pintura’, enquanto conceito, tem acompanhado a expressão plástica através dos séculos. Foi a solução imaginada pelo homem para deter o tempo e registrar a natureza efêmera de um instante. A pintura sobre o plano é, portanto, símbolo de permanência e eternidade. As “Cores Aditivas” …

leia mais


cassio michalany_ espaços da cor

Justas Posições O trabalho de Cassio Michalany dá a ver, por meio de repetições, possibilidades de mudança e alteridade. Em cada exposição, em cada conjunto de pinturas, há sempre um tanto de regularidade, na sucessão de coisas com aspectos idênticos, e outro de intermitência, em que se revelam as comutações e as diferenças de comportamento …

leia mais


french connection

Em homenagem à sua participação esse ano na FIAC (Foire d’Art Con- temporain) de Paris, a Galeria Raquel Arnaud organiza uma mostra paralela no seu espaço expositivo em São Paulo, em diálogo com o que será exibido na cidade luz. Durante os anos 1950, 60 e 70, Paris foi um destino preferencial para artistas estrangeiros, …

leia mais


a revolução tem que ser feita pouco a pouco_ parte 4: a revolução

(uma exposição em quatro etapas) No seu Guia prático para o desvio, Guy Debord argumentava que uma das mais eficazes estratégias de insubordinação social seria a apropriação, ou desvio, de frases e conceitos alheios, para fins revolucionários. Debord identificava vários tipos de desvios, entre eles o desvio menor, em que as palavras ou frases apropriadas …

leia mais


pensei que fosse só eu

Um dos principais fotógrafos brasileiros, cobiçado no campo da reprodução de obras de arte, Romulo Fialdini (Belo Horizonte, 1947), nesta sua primeira individual na Galeria Raquel Arnaud, revela a sua poética singular ao apresentar 24 fotografias autorais. Pensei que fosse só eu, reúne imagens selecionadas pela curadora Galciani Neves, que fazem parte de um livro …

leia mais


penumbra

Na Galeria Raquel Arnaud, o pintor e professor de pintura da ECA/USP Marco Giannotti apresenta – Penumbra – exposição que reúne 14 telas de grandes formatos (2m x 2.50m) e de pequenos formatos (40 cm x 1m) feitas a base de têmpera, esmalte (spray) e óleo. Foram realizadas em 2012, após sua estada de um …

leia mais


planar – wolfram ullrich

Uma cor que, no espírito de Theo van Doesburg, só tem significado por si mesma. Uma forma que obedece às leis da geometria. Um corpo que se relaciona diretamente com sua materialidade e sua plasticidade. Eis os fundamentos da arte concreta sobre os quais se constrói o trabalho de Wolfram Ullrich. Para o artista de …

leia mais


luz e pedra maria-carmen perlingeiro

Maria-Carmen Perlingeiro apresenta a exposição Luz e Sombra no segundo andar da galeria. A artista carioca, radicada em Genebra, Suíça, vai mostrar a instalação “Cones”, de 2012, composta por 18 peças em alabastro, com medidas variadas. Segundo a historiadora e crítica de arte Lionnel Gras, “Cada obra pode surgir, brilhar e reluzir, subtrair-se novamente e, …

leia mais


marco giannotti- entropia

Prestes a celebrar seus 30 anos de carreira, o pintor e professor de pintura da ECA/USP Marco Giannotti apresenta – Entropia – exposição que reúne cerca de 10 telas em diferentes dimensões, ocupando o segundo piso da Galeria Raquel Arnaud. O artista partiu de resíduos urbanos como grades, estruturas, fragmentos e plantas para criar essa …

leia mais


carlos zilio 1973/1977

Para fechar o calendário de 2016, a Galeria Raquel Arnaud apresenta “Carlos Zilio 1973/1977”. A mostra reúne cerca de vinte trabalhos realizados pelo artista em um dos períodos mais obscuros na história do país. Participante das principais exposições brasileiras da década de 1960, entre elas “Opinião 66” e “Nova Objetividade Brasileira”, ambas no MAM-RJ, Zilio …

leia mais