born in são paulo_ brazil_ 1983_ lives and works in são paulo


Both in her works on paper as well as in her photographs and actions recorded on video, Carla Chaim seeks to go beyond the bounds of the traditional conception of drawing. More than a support for the development of an idea, or an initial sketch of a work to be created, drawing in her work appears essentially as a vestige of a body’s action on a given support, a trace of its presence, or even the remnant of a gesture. Chaim works with the notion of control in her pieces, both through pre-established rules and in her physical movements in making a drawing, for example, using the body as an important tool in this process, also thinking about it as a place of conceptual discussion exploring its physical and social limits.

The subjects are varied and connected with systemic modes of operation and organic procedural forms of development. Carla’s work does not create narratives or tell stories, the work is the story itself taking into consideration social reflect and rational institutions. Review real things with experimental eyes, understanding incidents as part of the process. Acts of derive. To move.

Graduated in Fine Arts at Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP (2004), where she also did the post-graduation in Art History (2007). She has participated in several art residencies, among them Arteles, Finland (2013) and The Banff Centre for the Arts, Canada, (2010). Her work has been shown in numerous group exhibitions including: CODE, Osnova Gallery, Moscow, Russia (2017); Ao Amor do Público I, Museu de Arte do Rio – MAR, Rio de Janeiro, Brazil (2016); Again for the First Time, Durban Segnini Gallery, Miami, USA (2105); Film Sector, Art Basel, Miami, USA (2015); Into the Light, Galeria Raquel Arnaud, São Paulo, Brazil (2015); Ichariba Chode, Plaza North Gallery, Saitama, Japan (2015); Impulse, Reason, Sense, Conflict, Cisneros Fontanals Art Foundation – CIFO, Miami, USA (2014); Carla Chaim received Brazilian awards and prizes such as CCBB Contemporâneo and Prêmio FOCO Bradesco ArtRio, both in 2015 in Rio de Janeiro. In previous years, received the awards: Prêmio Funarte de Arte Contemporânea and Prêmio Energias na Arte, in 2015 in São Paulo. In 2016, Carla was shortlisted for the Future Generation Art Prize where in 2017 she presented her works in Pinchuk Art Centre, Kiev, Ukraine and in Venice, Italy, in a collateral event during the Venice Biennale. Her works are part of collections such as Ella Fontanals-Cisneros, Miami, USA; Museu de Arte do Rio – MAR, RJ, Brazil; and Ministry of Foreign Affairs, Itamaraty, Brasília, Brazil.




Em Norte, Carla Chaim declina a disciplina do desenho, técnica que tem, continuamente, experimentado e tentado desafiar, expandir e desdobrar. Com este propósito, a artista vale-se de um dos materiais mais corriqueiros e universais empregados para o desenho, a saber, o grafite, que, em sua denominância, herdou a etimologia grega relativa ao ato de escrever ou desenhar. Se, de fato, a artista inscreve-se no campo das artes gráficas, pode-se dizer no entanto que desenha em negativo, na medida em que a sua intervenção é estruturada por um princípio de inversão tanto de algumas convenções dessa disciplina, quanto de um diálogo espelhado com o próprio espaço expositivo.

Primeiramente, apesar de até hoje a prática do desenho ser associada ao ato de marcar uma superfície com uma ferramenta, em geral um lápis, em Norte o grafite não é utilizado para tracejar linhas ou delinear formas, mas é reduzido a pó e espalhado pela sala segundo um retângulo que decalca as medidas do espaço. Assim, o grafite deixa de ser ferramenta para existir como pura matéria que ocupa e preenche uma superfície determinada.

Formalmente, a estrita geometria da densa extensão negra de grafite aparece como um contraponto no espaço que ocupa, a sala verde do Palácio Pombal. De fato, a sensibilidade rococó manifesta na profusão de coloridos ornamentos ondulantes que adornam as paredes e teto da sala, contrastam com a austeridade e a estética quase minimalista do retângulo de grafite que reveste o solo.

O desenho-instalação de Carla Chaim ainda destoa de maneira mais estrutural às normas que regem o desenho manifesto no espaço expositivo, na medida em que ele desvia também das linhas diretrizes que sustentam a sua planta arquitetônica. Pelo simples gesto de deslocar o retângulo de grafite do eixo da sala, a superfície negra parece destacar-se ainda mais do seu contexto e vem reforçar os contrastes jၠmencionados antes.

Assim, podemos dizer que Norte é uma obra particularmente auto-reflexiva no que diz respeito à prática do desenho na pesquisa de Carla Chaim: tanto pela própria experimentação do material emblemático das artes gráficas extravasando os limites de um suporte bidimensional, quanto pela confrontação direta com o edifício colonial do Palácio Pombal, repleto de reminiscências de uma tradição do ornamento e regido por normas em sua variante técnica do desenho de arquitetura.

Com esse jogo de contrastes, a intervenção de Carla Chaim desestabiliza a percepção, desnorteia a experiência que o espectador pode ter do espaço, convidando-o a considera-lo sobre um novo ângulo. Por sua vez, as polaridades visuais suscitadas pela instalação podem abrir horizontes para o entendimento de polaridades geográficas e históricas mais amplas.