traço volume espaço- sérvulo esmeraldo

traço volume espaço- sérvulo esmeraldo

O artista plástico cearense Sérvulo Esmeraldo retorna à cidade para ocupar o térreo da galeria Raquel Arnaud com obras executadas em 2015, ano seguinte à exposição de parte de seu arquivo pessoal apresentada no IAC – Instituto de Arte Contemporânea, responsável por este acervo que registra, sobretudo, processos de criação. Um dos artistas brasileiros de maior destaque pelo caráter inovador de sua obra, Esmeraldo, 86 anos, continua o inventor de sempre: firme, atento, certeiro. A presente exposição é a evidência do frescor e da vitalidade de uma produção que, embora madura, continua pulsante.

Com 27 trabalhos – 10 esculturas, 07 relevos e 10 desenhos –, sendo 22 inéditos, Traço Volume Espaço traz uma síntese da produção do artista partindo de 1978 até 2015. A escolha dos trabalhos pontua de certo modo o seu retorno ao Brasil, no final dos anos 1970, após os 22 anos em que viveu na França. É nesta fase que Sérvulo redescobre a volúpia do clima tropical brasileiro, e se deixa seduzir pela luz natural de Fortaleza, cidade em que vive e trabalha desde então.

Um dos destaques da mostra é a escultura de grande formato Discos, projetada em 1978, que será exposta a céu aberto, no jardim da galeria. Evocando a excelência e o alto rigor construtivo do artista, a obra é composta por dois discos acoplados, em aço pintado em preto e branco, recortando com precisão círculos e semicírculos que impressionam pela coerência geométrica e leveza. Outras duas esculturas de composições móveis, em médio formato – Sem Título (1997-2015), com três discos, e Sem Título (1981-2015), composta por dois prismas – trabalham a ocupação do espaço, interesse constante em sua obra. Completam o núcleo escultórico cinco peças em formatos piramidais e prismáticos, projetadas em 1981 e agora realizadas, que evidenciam a ousadia tropical de Sérvulo, que as pintou em cores vibrantes e luminosas.

Ao contrário das esculturas, os relevos expostos são obras do artista maduro. O mais antigo, o Cilindros Parabólicos (projetada em 2001), da série Teoremas, foi realizado especialmente para a presente exposição. As obras dessa famosa série de Sérvulo são mais do que simples evocações poéticas de demonstrações matemáticas. “São apropriações de diagramas de teoremas matemáticos da antiguidade e da modernidade que, despojados de suas referências algébricas, tornam-se imagens sensíveis de ideias abstratas”, aponta o crítico Fernando Cocchiarale. Os demais relevos, em aço, têm contorno e estrutura na linha e podem ser compreendidos como desenhos no espaço. Dois deles são grandes volumes transparentes.

Completa a exposição uma série de 10 desenhos realizados em 2015 especialmente para a presente mostra. Caligráficos, eles são o traço que trata do volume e do espaço. Na abertura de Traço Volume Espaço será lançado o livro Sérvulo Esmeraldo – A Linha e a Luz, com organização de Dora Freitas e Sílvia Furtado, publicado pela Lumiar Comunicação. A obra reúne anotações e escritos de várias décadas do artista em torno de seu trabalho, além de estudos e obras.