ArPa 2026

21 maio - 31 maio_2026

ArPa 2026

Wolfram Ullrich e Felipe Pantone são artistas contemporâneos que, partindo de origens estéticas distintas, convergem em um fascinante diálogo sobre a percepção, a cor e o espaço na arte. Ullrich, enraizado nos fundamentos da arte concreta desde o final dos anos 1980, desenvolve relevos precisos em aço que desafiam a bidimensionalidade da pintura. Seu trabalho surge de um processo rigoroso de planejamento conceitual e execução manual, onde a cor monocromática e a geometria criam fenômenos ópticos: as superfícies parecem flutuar ou se afastar da parede, submetendo a obra à perspectiva móvel do observador, transformando a observação em uma descoberta contínua de pontos de fuga e tensões espaciais.

Felipe Pantone, por sua vez, iniciou sua prática no grafite, caligrafia e na tipografia, plataformas a partir das quais o artista empreendeu e evoluiu sua prática. Ele desenvolveu uma linguagem visual abstrata e geométrica que pretende ser ao mesmo tempo acessível e democrática, paralela ao discurso tecnológico atual. Seu foco é a reflexão sobre o consumo de informação visual na era atual, utilizando a abstração em referências visuais contemporâneas como infográficos e “falhas tecnológicas” (glitches). Influenciado pela Op Art e pela Arte Cinética, especialmente por mestres como Carlos Cruz-Diez, Pantone utiliza materiais variados, de tinta a telas digitais, para explorar a cromossaturação e a desmaterialização da cor.

A principal convergência entre os dois artistas reside na sua exigência de uma participação ativa do espectador. Enquanto Ullrich manipula o volume físico para que o movimento do observador complete a ilusão, Pantone expande o legado cinético ao incorporar o virtual, permitindo que a própria obra, ou a percepção dela, mude constantemente. Assim, ambos utilizam a cor e a forma para questionar a estabilidade do plano pictórico e da realidade percebida.