“… toda palavra sã”

05 fev - 28 mar_ 2026

“… toda palavra sã”

“… toda palavra sã”

Galciani Neves

“… toda palavra sã” reúne trabalhos para serem lidos, vistos, pronunciados, sussurrados, dançados (quem sabe) a partir desse título, que se apropria de um trecho da música “Açaí” (1982), de Djavan. A letra da canção se alterna em versos muito simples e, ao mesmo tempo, densos, compostos ora por uma única palavra, ora por duas ou três. Para o cantor, a despeito de considerações nonsense sobre sua composição, “tudo faz o maior sentido” , pois a palavra é capaz de nos transportar para muitos contextos e isso acontece porque, de fato, a vivenciamos conforme nossas experiências e desejos.

Partindo do princípio de que a palavra é um componente da linguagem que, em sua elementaridade ou vastidão de significados, nos leva a muitas experiências de mundo, os trabalhos de “… toda palavra sã” ressaltam essas condições poéticas com palavras pintadas, gravadas, esculpidas, forjadas, impressas, escritas, serigrafadas, desenhadas, carimbadas, apropriadas, cortadas, coladas, brilhantes, retorcidas.

Na Galeria Raquel Arnaud, as práticas artísticas de Almandrade, Antonio Manuel, Carla Chaim, Carlos Nunes, Carlos Zilio, Carmela Gross, Fabio Morais, Geórgia Kyriakakis, Iole de Freitas, Mira Schendel, Natalie Salazar, Shirley Paes Leme, Vitor Cesar e Waltercio Caldas se entrelaçam e criam temporalidades e lugares para palavras e, também, para algumas de suas proximidades constitutivas – o signo gráfico, a pausa, o risco, a garatuja.