arco madrid 2026

4 mar - 8 mar_ 2026

arco madrid 2026

Para a ARCO Madrid 2026, a Galeria Raquel Arnaud apresenta um diálogo profundo e intrigante entre as práticas de Marina Weffort e Jullio Villani, abordando temas como estrutura, materialidade e criação de ordem, mas através de processos artísticos inversos. Enquanto Weffort explora a subtração, Villani constrói suas composições através da adição e da sobreposição de camadas. Essa dualidade não apenas enriquece suas poéticas individuais, mas também cria um campo comum para a reflexão sobre resiliência e fragilidade na arte. A poética de Marina Weffort está enraizada na memória familiar e na tradição têxtil feminina. Seu processo, descrito como “desfiar”, é um ato de paciência e disciplina. Ao desfiar o tecido fio por fio, ela revela uma estrutura que, paradoxalmente, se torna mais forte por meio de sua flexibilidade. Weffort inverte a lógica construtiva em que a rigidez é a base, para mostrar que a resistência pode estar na capacidade de adaptação. Seu trabalho com tecido desafia a solidez da escultura e a bidimensionalidade do desenho. A artista segura e solta fios e linhas, criando espaços vazios que se organizam com os cheios, um eco sutil da filosofia de Agnes Martin.

Julio Villani, por outro lado, é um “bricoleur” que encontra ordem no acaso e na sobreposição. Em suas colagens sobre manuscritos do século XIX, ele subverte a hierarquia tradicional entre texto e imagem. Em suas pinturas, chamadas pelo artista de “Arquiteturas dobráveis”, formadas por linhas frágeis e campos de cor que nos fazem imaginar construções temporárias, instáveis e impermanentes que lembram a têmpera de Volpi. O apagamento e o acúmulo não são erros, mas sim partes de um processo de busca por uma “forma melhor” que nunca é definitiva. Assim como na obra de Marina, uma memória permanece em suas peças, a sugestão de um material que já foi outra coisa.

Ao compartilhar um espaço expositivo, a relação entre Weffort e Villani existe em um nível conceitual, onde suas abordagens opostas se complementam. Weffort desmaterializa a estrutura, enquanto Villani constrói estruturas intencionalmente frágeis e impermanentes. A dureza do concreto armado é substituída pela flexibilidade do tecido e pela instabilidade da tela e do carvão. O processo meticuloso e repetitivo de Weffort encontra eco na acumulação de camadas e “apagamentos” de Villani. Embora sejam de gerações diferentes, Weffort e Villani se dedicam à abstração geométrica, uma ênfase que a Galeria Raquel Arnaud valoriza. A dualidade de suas obras proporciona ao espectador uma visão mais ampla da arte brasileira. Esta proposta visa destacar o trabalho único de cada artista, ao mesmo tempo em que oferece a oportunidade de explorar seus processos criativos individuais.

 

Giulia Baitz