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Raquel Arnaud | 40 anos de galeria

1973 - 2014

Presente na arte nos últimos 40 anos, período em que o circuito foi se profissionalizando, a marchand Raquel Arnaud foi uma das pioneiras na descoberta e promoção de nomes e movimentos hoje icônicos na cena artística. Ela soube usar sua atuação no então tradicional mercado de arte para construir as transições da arte moderna, passando pelos seus descendentes, até vigorosa atividade com os contemporâneos.

Afinidades (20/3 – 4/5), exposição no Instituto Tomie Ohtake que comemora os 40 anos de trabalho de Raquel Arnaud, e Trajetória 40 anos (2/4 – 17/5), exposição na Galeria Raquel Arnaud, buscam apresentar o seu percurso, por meio de obras provenientes de várias coleções capturadas por seu olhar afinado ao longo deste período, que se constituem hoje em trabalhos históricos e referências da produção atual. Afinidades é uma exposição retrospectiva que conta com 116 obras de 45 artistas diferentes que estiveram com Raquel nesses anos.

Quando começou, na direção da Galeria Global, na década de 70, depois de trabalhar no MASP junto ao Professor Bardi, a marchand já celebrava a geração seguinte ao modernismo. Assim nomes como Mira Schendel, Lygia Clark, Ligia Pape e Amilcar de Castro formavam o universo das exposições por ela aí organizadas, ou em seu Gabinete de Artes Gráficas, fundado em parceria com Mônica Filgueiras.

Nesta época também obras como as de Sergio Camargo, Franz Weissmann, Tomie Ohtake, Willys de Castro, Hercules Barsotti, Arthur Luz Piza, Anna Maria Maiolino, Carmela Gross e Leon Ferrari figuravam na programação dos dois espaços.

Já no final dos 70 e começo dos 1980 as suas apostas em jovens como Tunga, Waltercio Caldas, José Resende e tantos outros são bons exemplos de sua sensibilidade em vislumbrar novas potências na arte. Uma resposta de Raquel a Rodrigo Naves em seu livro editado pela Cosac Naify já demonstra este seu olhar para o futuro: “O que conta para mim, é poder defender amanhã aquilo que vendi ontem”.

A declarada admiração de Raquel pela marchande Denise René, fez com que ela estivesse muito ligada a esta última, precursora da difusão da arte cinética. Ao envolver artistas europeus e latino-americanos, este movimento fortificou a afinidade entre as duas, até a morte de René em 2012, trazendo para a galeria brasileira alguns nomes referenciais do cinetismo, como Cruz-Diez e Jesús Soto.

Raquel tinha a obstinação pela qualidade da arte, e na forma de atuação de um galerista – influir nas coleções e difundir os artistas. Foi com esta prática que colaborou para ampliar a gama de colecionadores brasileiros, inclusive se orgulha de ter colaborado com a formação de muitas coleções nacionais e internacionais.

A exposição Afinidades será acompanhada de um catálogo bilíngue editado pela Cosac Naify. Com textos e imagens, tem tiragem de 3.000 exemplares.