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Iole de Freitas | Intervenção efêmera

27 de novembro de 2011, domingo, às 16h30

No próximo domingo, dia 27 de novembro de 2011, às 16h30, às vésperas de seu encontro com o artista Julio Le Parc – o último do ano dentro do programa Meridianos – Iole de Freitas irá instalar nos jardins da Casa Daros, em Botafogo, no Rio, um conjunto de  esculturas. A intervenção, com caráter experimental, é resultado da residência de pesquisa que desenvolveu desde maio último em meio às obras de revitalização do casarão centenário de Botafogo que irá abrigar a instituição.

O conjunto de esculturas permanecerá por apenas 24 horas, para registro fotográfico que integrará a pesquisa da artista.  Nada estará preso às paredes – é uma instalação precária, um site specific. O evento será acompanhado pela direção da Casa Daros, alguns artistas convidados e, em especial, o maestro da arte cinética Julio Le Parc.

O projeto de residência partiu da indagação “Para que servem as paredes do museu?”, surgida em conversa entre a artista e Isabella Rosado Nunes, diretora da Casa Daros, durante abertura da exposição de Antonio Dias, na Pinacoteca de São Paulo, em setembro do ano passado. Na ocasião, estava em cartaz também na Pinacoteca uma mostra de Iole de Freitas.

Na pesquisa, a ideia central foi acompanhar o processo de transformação do edifício que abrigará a Casa Daros, e imaginar “utopias para lugares que estão mudando, junto com as ideias”. A artista se dedicou a pensar esculturas, instalações e situações impossíveis de serem feitas em um espaço que sofre alterações permanentes. “As esculturas dela dependem, em geral, de ancoragens onde possam estar em equilíbrio”, observa Eugenio Valdés Figueroa, diretor de arte e educação da Casa Daros. “O grande desafio para a artista resultou nos mais fantásticos desenhos, trazendo na pergunta ‘Para que servem as paredes do museu?’ as inquietações que permeiam seu trabalho”. “Essas inquietações estão por trás da leveza, elegância e delicadeza observadas nas esculturas, que dissolvem o limite, transpassam os muros, flutuando, escorregando. Tem quase um sentido subversivo, sensualmente subversivo eu diria”, afirma.

As esculturas estarão na área externa, se deslizando pelo jardim até alcançar a escada na entrada principal do casarão. “Nos desenhos dessas “utopias”, projetados durante a pesquisa, já é possível descobrir o olhar da artista. São como traços no ar sob a alameda de palmeiras da Casa Daros, como o vôo de pássaros invisíveis, vento, almas, um quase querer ser. E assim que se revelam, se desvanecem…”
”A ideia é que a obra seja tão processual e instantânea como a própria transformação da casa, e sinalize a ideia da arte como um fluído. Para que servem as paredes do museu é uma pergunta instigadora que aposta na metamorfose, na transformação de um espaço de arte. Ao mesmo tempo, esta ação experimental nos afasta de uma leitura meramente formal ou estilística, e nos envolve em conteúdos muito mais problematizadores, que contestam ancoragens tanto no espaço físico, quanto numa dimensão temporal. Ao entrar em um espaço que amanhã será diferente, a obra puxa para si outras implicações. O conjunto foi pensado para estar num local em constante mutação: um canteiro de obras. A intervenção, portanto, perdura apenas num brevíssimo intervalo entre as mudanças de um lugar em construção, ele mesmo um work in progress. É como um site specific levado ao extremo”, explica Eugenio Valdés Figueroa.

De acordo com a própria artista sobre sua pesquisa, “são as novas paredes! semi-invisiveis, traiçoeiras, cuidado com elas! É interessante pensar que ao questionar: para que servem as paredes dos museus, constrói-se no jardim paredes que são peles e não anteparos. Nada de concreto, tijolos e argamassa. Só movimento, e trazem o museu para fora de suas paredes. É bom que assim seja”!  Em outro depoimento, tentando momentaneamente se afastar da “transparência” e explorando outros materiais e a cor verde, Iole diz que procura “uma oscilação entre natureza e construção. Paisagem e arquitetura. São vítreas, parece que a cor vem de dentro, mas trata-se de uma impressão na superfície. São foscas e penetrantes meio mar, meio vidro, quase folha. Esta é a graça, são arrasadoramente intrigantes. Não dá para não olhar”.

 

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